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Corpo e Mente
postado 24.02.2014 às 08:00 por Arnaldo Celso do Carmo
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O cérebro silencioso

O cérebro silencioso Novas descobertas da neurociência sobre o cérebro que medita

Nos meus tempos de estudante de medicina, na segunda metade dos anos 70, todos conhecíamos um dogma: o cérebro se desenvolve apenas até os  primeiros 3 ou 4  anos de vida. Depois disso ele se torna estático até começar a se atrofiar na velhice que, para ele, começa por volta dos 30. Ou seja, se você tinha mais do que alguns anos de idade então tudo o que podia fazer era torcer para que tivesse tido a nutrição e estímulos adequados na hora certa e esperar que o tempo fosse gentil com você no futuro.  Neurônios, as principais células cerebrais, não se multiplicam, apenas se degeneram. 

Acreditávamos numa realidade que determinava que, se houvesse uma mudança, seria para pior.

Felizmente podemos dizer, com o que sabemos hoje, que esse cenário era completamente equivocado. Pesquisas recentes mostraram que os neurônios não só conseguem se multiplicar, embora num ritmo realmente muito lento quando comparado com outros tecidos, mas que principalmente conseguem aumentar suas conexões com outros neurônios numa taxa incrivelmente alta, o que compensa em muito as perdas eventuais que possam ocorrer. Uma célula que tenha centenas de conexões com outras pode rapidamente aumentar o número dessas conexões para milhares se for estimulada apropriadamente. O cérebro se mostrou muitíssimo hábil em cumprir uma verdade científica, essa ainda muito válida até hoje, que diz que todo órgão que é posto em ação corretamente tende a se manter saudável e se hipertrofiar.  A atividade aumenta o fluxo de sangue local, levando mais oxigênio e nutrientes para os tecidos.  Bem nutridas e arejadas as células florescem naturalmente. E o mesmo acontece com o cérebro!

A boa notícia é que o nosso cérebro muda conforme a nossa experiência muda e que a forma mais eficaz de produzir essas modificações não é através do uso de medicamentos mas pela mudança do nosso comportamento mental, mais especificamente dos nossos hábitos mentais. Podemos ter o cérebro que desejarmos ter da mesma forma que, com uma dieta adequada e frequentando uma boa academia, podemos modelar nosso corpo.  Esse conceito, que está revolucionando a neurologia moderna, é conhecido como neuroplasticidade, a capacidade do cérebro se modificar como resposta aos estímulos mentais. Como com um músculo qualquer, tornamo-nos mentalmente bons naquilo que praticamos.
 
Os estudos mostraram que, além de aumentar o número de conexões com outras células, os neurônios, quando estimulados, parecem capazes de agregar em volta de si células auxiliares que cumprem funções como a de ajudá-los a se nutrir e eliminar substâncias potencialmente tóxicas mais eficientemente. Revelaram também que a prática regular da meditação durante 30 ou 40 minutos por dia produz mudanças notáveis em nosso cérebro.

Pesquisas recentes utilizando exames de ressonância magnética sequenciais mostraram que o cérebro das pessoas que meditam regularmente não só não se atrofia com o tempo como, ao contrário, chega a se hipertrofiar em diversas localizações importantes. Uma das áreas mais afetadas é o córtex pré-frontal, também conhecido como o "gerente" do cérebro porque está envolvido na capacidade de atenção, aprendizado e tomada de decisões, além de modular a expressão das nossas respostas emocionais. Hoje sabemos que existe uma conexão direta entre a capacidade de atenção e felicidade: uma mente desatenta é uma mente infeliz. Também sabemos que o córtex pré-frontal está atrofiado ou pelo menos funcionando abaixo do normal em muitos tipos de transtornos mentais como a depressão, ansiedade e diversas formas de adição como à drogas e álcool.

Outras áreas afetadas pelo exercício regular da meditação são o hipotálamo, envolvido com o nosso poder de memória, aprendizado e também com a regulação das emoções, e a junção têmporo-parietal, sede da nossa capacidade de sentir empatia e compaixão. Essas 2 áreas se hipertrofiam significativamente após apenas 8 semanas de prática, um resultado espetacular se levarmos em conta que até há alguns anos atrás vivíamos a certeza de que, se a memória estivesse enfraquecendo, pouco ou nada podia ser feito. Menos ainda no caso de descontroles emocionais ou de uma certa apatia afetiva.

Finalmente, há uma região do cérebro na qual o efeito demonstrado é o oposto, onde existe uma diminuição da massa cinzenta. É a região da amígdala, a parte do cérebro responsável pela regulação da nossa reação ao stress agudo.  Esta atrofia está diretamente relacionada com a mudança no stress: quanto maior a redução do stress, menor a amígdala. O efeito prático é uma diminuição da ansiedade e um aumento na confiança em relação ao ambiente e às relações interpessoais.

Na minha vivência médica diária, tanto individualmente como em grupos, tenho tido a oportunidade de acompanhar transformações  notáveis em muitas pessoas que antes se sentiam tristes e desanimadas, com baixos níveis de auto estima  e que hoje se sentem felizes e, especialmente, cheias de confiança e perspectiva. Tudo isso por cerca de 40 minutos diários de prática de meditação utilizando um método suave, gentil e que não requer nenhum esforço nem talento especiais. 

Os benefícios são tão rápidos e óbvios que a obrigação inicial de praticar logo se transforma num momento agradavelmente esperado do dia.

Além do efeito subjetivo principal de trazer mais felicidade às pessoas na sua vida cotidiana, também sempre observamos como efeitos colaterais desejáveis diversas alterações na sua saúde física. As mais comuns são uma tendência de queda na pressão arterial com uma menor necessidade do uso de medicamentos, a melhora do funcionamento do sistema imunológico, do padrão do sono e da capacidade de concentração, respostas emocionais mais adaptadas, diminuição dos pensamentos negativos repetitivos e uma melhora da sensação de bem estar geral.

Difícil imaginar um exercício mais vantajoso!
 
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