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Saúde
postado 31.01.2013 às 10:00 por Arnaldo Celso do Carmo
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A medicina da Paz-meditar é um bom remédio

A medicina da Paz-meditar é um bom remédio
Eu, jovem médico recém-formado no início dos anos 80, logo me dei conta de que a alternativa medicamentosa não iria resolver sozinha a maioria dos problemas dos meus futuros pacientes. Existia alguma coisa a mais por detrás de tanto sofrimento além de má sorte ou uma má herança genética. Nos anos seguintes a ciência foi desvendando a identidade desse convidado indesejado. Acabou sendo chamado de "stress", uma forma resumida de descrever a complexa reação orgânica desencadeada por um alto nível de ansiedade mantido ao longo de um largo período de tempo. Desenvolvida há milhares de anos como uma estratégia muito bem sucedida que nos possibilitou sobreviver, a "reação de stress", quando transportada para a vida moderna, mostrou-se muitas vezes desastrosa. Isso porque, à parte do seu uso benéfico, passou a ser desencadeada por situações banais que acontecem no nosso cotidiano, como a visão de um congestionamento ou uma simples lembrança desagradável. Nada muito perigoso, mas que o sistema nervoso condicionado interpreta como uma ameaça real que exige uma resposta imediata que consome uma enorme quantidade de energia. O resultado é a sensação de ansiedade e medo contínuos e um desgaste que cria o terreno propício para o aparecimento  de diversas doenças,  como hipertensão arterial, diabetes, infartos,  tumores e muitas outras.
                                                                                                        
Como a resposta é automática e imediata surgiu o mito do "stress inevitável", que aconteceria sempre que houvesse um desencadeante. Havia pouco que pudéssemos fazer quanto a isso além de tentar ver as coisas de modo diferente,  tirar umas férias e nos sentirmos tolos por sempre fracassarmos.
                                                                                                                                
O stress passou a ser visto como um inimigo poderoso que teria que ser evitado a qualquer custo

Mas, para mim, alguma coisa ainda estava faltando. Eu me lembro de pensar: "se houver alguma outra maneira de viver, vou encontrá-la". Desconfiava especialmente da fatalidade do stress e suspeitava que ele não era mais do que um hábito como qualquer outro e que, como tal, poderia ser transformado.    
                                                                                        
Comecei então a procurar formas alternativas de reagir aos "perigos" cotidianos e acabei por me interessar pela meditação. Conheci e pratiquei diversos métodos até me encontrar com uma técnica simples e gentil que combina quietude e silêncio e que pode ser exercitada por qualquer pessoa, a qualquer hora e em qualquer lugar.   
                                    
Na verdade, quando meditamos desencadeamos no organismo uma reação que em tudo se opõe ao stress. Enquanto o stress produz uma contração generalizada, a meditação induz o relaxamento. Com a prática  podemos aprender a relaxar diante de qualquer situação da vida comum criando um novo hábito que toma o lugar do velho  que, agora,  só será utilizado quando necessário. A primeira coisa que observamos, já nos primeiros dias, é uma mudança na direção da nossa atenção, que quase sempre está voltada para fora já que vivemos preocupados com resolver problemas externos.  Começamos a explorar o nosso mundo interior e  nos surpreendemos com o que encontramos: aqui dentro existe alguém que não conhecemos.
 
Mas essa não é uma descoberta ruim porque a pessoa que descobrimos dentro de nós é um ser humano tranquilo, naturalmente relaxado e que não se sente tão atingido pelas situações da vida comum.  É como um observador, que apenas registra como uma testemunha os fatos ao seu redor e dentro de si. 
                                                                                                 
Também começamos a descobrir como a nossa mente funciona, como se envolve em disputas irrelevantes e lhes dá grande poder pela atenção que dedica a elas e como isso acaba por cobrar um preço alto no final.  Percebemos que o stress quase sempre é o resultado de más escolhas que fazemos ao longo da vida sem nem sequer nos dar conta do quê estamos escolhendo.  Estamos acostumados a acreditar que as coisas nos acontecem sem nenhuma interferência da nossa parte. No entanto, logo percebemos que isso não é verdade, e que nutrimos insistentemente boa parte dos pensamentos e atitudes que nos tiram a paz e nos fazem sofrer.  E o que é pior: fazemos tudo isso em troca de nada, apenas embalados pelo hábito e pela ignorância.   
                                                                                                                          
A simples atitude de fechar os olhos e levar a atenção para dentro, suave e gentilmente, observando tudo o que se passa, começa a modificar esse quadro, transformando velhos padrões de comportamento automático  em atitudes conscientes e voluntárias, ajudando-nos a nos tornar senhores do nosso destino.   
                                                        
O efeito sobre a saúde, tanto do corpo como da mente, é imediato. Surge uma sensação de leveza, um bom-humor não relacionado aos acontecimentos externos, uma felicidade de base que naturalmente se instala e substitui o velho desencanto. Logo percebemos que não são as doenças ou as situações que estamos vivenciando que nos fazem sofrer, mas a maneira como lidamos com elas. Vem a maturidade emocional, sem nenhum espaço para a resignação nem para o papel de vítimas a que sempre estivemos acostumados.  
              
As velhas doenças passam a responder melhor aos tratamentos convencionais e o mais surpreendente: aprendemos a conviver com elas em paz. A sua presença não afeta o nosso bem-estar. Diminuímos o drama e o sofrimento das nossas vidas.

Claro, a pergunta que fica é: como aprender esse novo hábito?

Minha recomendação é: pratique. Não existem atalhos neste caminho. Muitas são as técnicas de meditação disponíveis. Escolha a que lhe cair melhor e simplesmente pratique. O único requisito necessário é a disponibilidade verdadeira do interessado. E não desista antes de completar pelo menos 6 semanas de prática. É o tempo máximo para se começar a alcançar resultados que por si só irão motivá-lo a continuar. 
                                                         
Hoje, vivendo a maturidade da minha experiência clínica, posso dizer que me sinto feliz por poder prescrever a medicina da paz a todos os meus pacientes.    
                 
Pratique e seja bem-vindo a um mundo maior e mais feliz.
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